O AMOR QUE JÁ FOI MEU


Pode, por favor, emprestar um lenço,
o ombro, segurar minhas mãos?
O gelo que sente não é frio
(está tão quente o dia)
nem essas lágrimas são de alguma
dor renitente.
É o meu amor (eu pensei)
que passa ali,
veja como vai contente,
como sorri!
É ele e o seu presente
onde não estou, pode perceber
Ele e seu novo amor
(olho o espelho quebrado para fingir que
quem está ao lado dele, é o meu reflexo, sou eu).
Sim, sou dada a essas ilusões,
não repare.
Só segure assim minhas mãos
logo elas também entenderão
essa estranheza da pele,
o toque da melancolia.
Veja, já sabem.
Perdão, não adianta o que faça,
estão para sempre frias.

Saramar

Imagem: John Godward

12 comentários:

Claudinha disse...

Oi mulher danada! Agora parece que está lendo o meu passado... Eu vivi esta cena um dia. Só que não quis me ver no espelho, nem perdoar, nem nada. O que eu pensava sentir, se acabou neste instante da visão e eu descobri que amava aquele tempo que não voltava mais, amava meus 15 anos, não aquele homem...
Beijos!

Leticia Gabian disse...

Como amante da sabedoria popular, aqui caberia "mão fria, coração quente". Também me lembra uma página da minha vida, já passou, ficou lá atrás, mas o retrato era bem esse que aqui pintou.
Grande beijo, querida

Mário Margaride disse...

Olá Saramar,

É assim mesmo a vida querida amiga.

O amor...ora vai, ora vem...
Depois fica a saudade, a tristeza, e a desilusão.

Fica bem querida amiga

Zé Carlos disse...

Olá Sara querida, eu sei que está hoje apenas poetando pois vc é a menina mais amada da Net... mas se fosse verdade poderia se espelhar no amigo aqui que já se levantou de cada tombo mas depois que está de pé vê a luz do sol muito mais brilhante....
Lindo dia para ti, bjs do ZC

A.S. disse...

Querida Saramar
não se assuste...não!
O gelo de sua mão
Um dia há-de queimar!


Para ti... com um beijo!

Dalila disse...

cada vez gosto mais

o alquimista disse...

A lonjura é a distância da viagem, a idade não cobre os rochedos, passam ventos de encantamento descobrindo mil e um segredos, tantas histórias, tanto caminhar, quanto tempo leva a viagem das pedras e se o sol não voltasse no amanhã achas que a lua sorria para elas?...


Boa semana

Doce beijo

Ricardo Rayol disse...

De uma intensa angustia e desnorteio.

Yvonne disse...

Saramar, lendo essas maravilhas que você escreve, eu fico pensando em algum ladrão aparecer por aqui para roubar suas preciosidades. Não dá, né querida? Beijocas

Daniele disse...

Querida Saramar és verdadeiramente uma operária da palavra, tecendo versos magistrais que são espelhos do nosso cotidiano!

Beijos,

Sônia disse...

Que triste Saramar...
Sinto te deixar mais triste, mas tem uma corrente lá no meu blog...rs, e eu te indiquei, é claro!


Boa noite!

Tina disse...

Oi Saramar!

Também sou dada às ilusões: e isso não devia. Mas sem isso, morreria.

Obrigada por dividir versos tão lindos, obrigada mesmo.

Seu carinho é sempre querido, você sabe.

beijos querida,