PRÍNCIPES E POETAS


Quero que o dia acabe, cada vez mais rapidamente.
Há uma voz em minha cabeça,
que repete um poema de Bates (uiva, uiva,...)
Há um tremor em meu corpo,
que reflete o desequilíbrio deste maltratado autômato.
Outra voz grita: acorda, acorda,
d’accord, d’accord, d’accord, como Chico.
Escrevi uma página inteira de loucuras
porque não posso falar delas para ninguém.
Acha que sou louca?
Ainda não viu nada.
Nada em mim tem medida.
Não gosto de portas fechadas.
Não gosto de chaves.
Tenho medo de escuro.
Quero tudo aberto e iluminado.
Tudo o que você precisa ser, ou não ser.
Não estou cabendo em mim.
Não estou me contendo.
Há algo me roendo.
Há algo me comendo.
Tremendamente.
O meio dia nunca passa?
A meia noite nunca chega?
Vamos, príncipe, compor uma música?
Quero escrever uma carta de amor,
Mas só tenho um envelope vazio e frio.
Há um ar de expectativa em torno de mim.
Como se a fantasia fosse se realizar.
Bate, bate, geme e uiva,
Perdidos na noite.
Sonho de uma noite de verão.
Fui picada pelo mosquito do dengo.
Doce picada em sua voz.
Doce e violenta voz em meus ouvidos.
Estou contaminada.

3 comentários:

terragel disse...

SARAMAR, esse teu conto é extremamente sensual. Eu li e reli pensando no que tu não dissestes, aí foi que eu encontrei a magia dele.
Obrigado pela visita e volte sempre.
Bjs

Lia Noronha disse...

Sara: ser picada pelo mosquito do dengo é sensacional!Deve deixar qualquer um dengoso e apaixonado.

Obrigada pelo carinho no meu Cotidiano.
Vc é muito talentosa,parabéns!

Beijos carinhosos.

Angela Ursa disse...

Saramar, vi que você também gosta da música Joana Francesa do Chico. Acho uma obra-prima mesmo e combinou com o seu lindo texto! Beijo da Ursa