POEMA JUVENIL


A cidade e as serras,
a cidadezinha pitorescamente morta.
Grandes grilos pousam
em flores descoradas
pela chuva.
O ar pasmaceia.
De vez em quando, bandos de pássaros conversam
nos fios e saem em visitas corteses.
O rio descansa, lento e frio.
Poderia correr, prefere ir se derramando
ao gosto da chuva constante.
De repente, o sol amarela a nesga azul
e se abre maravilhado.
As flores levantam suas sépalas e brilham,
espantando os grilos.
Os pássaros formam uma ala
em alaridos felizes e desconexos.
O rio explode em cascatas felizes.
Tudo reluz e sorri
à chegada do casal real
que, indiferente ao descompasso do mundo,
vem para o ócio conquistado.
Mãos entrelaçadas, sorrisos, amor,
deixando para trás, corações
e corpos saudosos e despedaçados

1 comentários:

Bosco Sobreira disse...

Que beleza de Poema, minha querida Poeta! Tenho andado distante, mas espero retornar com a freqüência de antes.
Um beijo afetuoso, Poeta querida!