FELIZ NATAL
Postado por
Saramar
on segunda-feira, dezembro 20, 2010
/
Comments: (5)
Feliz natal
aos poetas encolhidos em calçadas da noite
aos meninos que catam a felicidade
nas felizes calçadas verde-vermelhas
aos velhos do tanto frio da solidão
às Clarices, Florbelas e Adelias,
às mulheres vazias de luz,
portadoras de secretas dores
e aos seus homens úteis,
sobre quem nenhuma flor se debruça
a quem perdeu seu amor
e olha triste as mãos alheias, juntas
a quem não sabe como chorar
e lamenta
e se entrega
e morre.
Feliz natal.
PAIXÃO
Postado por
Saramar
on quinta-feira, junho 10, 2010
/
Comments: (7)
e os carinhos sussurrados.
Quero as sombras de unhas e dentes
e a fome dos noturnos
desenhando profundamente
laços, lanhuras, beijos em fragor e perdição.
Quero o feroz desfazer-se em gemidos
a fragância da entrega,
os abismos de quem,
perdido em espinhos e sedas,
une pedaços como náufragos
até aportar como os amantes
no leito cansado dos dementes.
Saramar
Imagem: Kevin Rolly
EU, QUE TANTO TE AMEI
Postado por
Saramar
on sábado, abril 24, 2010
/
Comments: (9)

Não te amo mais.
Que saibam todos os que acreditaram.
Arei cantos e cantei
Malsinada vida de amar
e amei.
Eu te amei.
Os cantos e as flores
imaginava envolvendo
meu amor,
a cada dia maior
a um novo dia, novo.
Eu te amei.
A um canto, exangue,
mudo
em pranto
morre o amor
eu
que tanto te amei
morro
(por enquanto).
Saramar
Imagem: Yuri Bonder
NOITE
Postado por
Saramar
on segunda-feira, janeiro 25, 2010
/
Comments: (7)
VAZIO
Postado por
Saramar
on quarta-feira, dezembro 09, 2009
/
Comments: (13)
DE TUDO, O FIM
Postado por
Saramar
on quinta-feira, novembro 19, 2009
/
Comments: (9)
TEIMOSA PRIMAVERA
Postado por
Saramar
on quarta-feira, setembro 23, 2009
/
Comments: (9)

Importa que nasça a flor
e sobre ela,
outras vidas,
em asas de dança,
encenem a colorida valsa
que, sapiens,
esquecemos de trançar.
Importa que venha a chuva,
e viajem as águas
sobre o rumo que traçam
a cada líquido passo.
Importa ainda o amor
e suas flores, suas águas
seus ridículos e rosas e doces tecidos
que teimam em ser,
queimando o ser
a cada primavera.
Saramar
Imagem: Renoir
e sobre ela,
outras vidas,
em asas de dança,
encenem a colorida valsa
que, sapiens,
esquecemos de trançar.
Importa que venha a chuva,
e viajem as águas
sobre o rumo que traçam
a cada líquido passo.
Importa ainda o amor
e suas flores, suas águas
seus ridículos e rosas e doces tecidos
que teimam em ser,
queimando o ser
a cada primavera.
Saramar
Imagem: Renoir
(A) MAR
Postado por
Saramar
on domingo, junho 07, 2009
/
Comments: (26)
O QUE TE LEVOU DE MIM?
Postado por
Saramar
on sexta-feira, maio 15, 2009
/
Comments: (11)
CARNAVAL
Postado por
Saramar
on quarta-feira, janeiro 28, 2009
/
Comments: (29)

Passeio entre felizes foliões.
A festa despencou pelas ruas, chuva de confetes.
Máscaras não mais se usam,
só a da alegria, em todas as faces, pregada.
Suor colorido de músicas, um choque,
um tremor nessas ruas molhadas.
Beijos escorregam por todos os lados,
lascivos,
de línguas, bocas, pernas.
Procuro rostos, olhos... nada.
É carnaval.
Também fui,
trocando ilusões e lençóis engomados
por tiras coloridas e seu brilho de enganar.
Árvore,
de outra pele me vesti
e a primavera confunde as estações e os sons.
Estou indo esquecer
que a felicidade é um confete no asfalto.
Imagem: Picasso
UM ANO... OUTRO
Postado por
Saramar
on segunda-feira, dezembro 29, 2008
/
Comments: (23)
O MENINO
Postado por
Saramar
on sábado, dezembro 13, 2008
/
Comments: (10)
Depois,
eram uns meninos no berço
e o grito de suas mães
era um sangue lavando pedras
e um matinho quase seco
que água não corria ali.
De inundação, só lágrimas
de mulheres,
e isso não conta, de tanto se ver.
Mesmo na hora de invadir a luz
com a vida,
com uns olhos cegos de quem pariu,
ouve-se o choro da mulher
e vai abaulando, crescendo em água
nos caminhos onde anda
dos olhos da vida, sal e mágoa
pelos meninos, todos
eram uns meninos no berço
e o grito de suas mães
era um sangue lavando pedras
e um matinho quase seco
que água não corria ali.
De inundação, só lágrimas
de mulheres,
e isso não conta, de tanto se ver.
Mesmo na hora de invadir a luz
com a vida,
com uns olhos cegos de quem pariu,
ouve-se o choro da mulher
e vai abaulando, crescendo em água
nos caminhos onde anda
dos olhos da vida, sal e mágoa
pelos meninos, todos
e os seus.
Eram uns meninos num pedaço seco
da terra
e o choro da mãe.
Não fora a estrela insistente
sobre o berço seco do menino,
não fora o olho de abraçar o mundo,
do menino,
ofuscando a estrela e sua luz,
ninguém diria que, naquela aridez
da alma de todo infeliz,
nascia o Menino Jesus.
Saramar
Eram uns meninos num pedaço seco
da terra
e o choro da mãe.
Não fora a estrela insistente
sobre o berço seco do menino,
não fora o olho de abraçar o mundo,
do menino,
ofuscando a estrela e sua luz,
ninguém diria que, naquela aridez
da alma de todo infeliz,
nascia o Menino Jesus.
Saramar
Imagem: roubei daqui
CORSÁRIO
Postado por
Saramar
on terça-feira, dezembro 02, 2008
/
Comments: (10)

Todo amor invade e aflige.
É corsário com mãos de perfume
e cravo crudelíssimo.
Ora flor, ora gemido,
o amor invade os sonhos,
transtorna os dias,
revira a alma,
ri do tempo,
desconhece circunstâncias.
Rei e menino,
o amor brinca na doce aflição
dos sentidos
e marca e fere.
Assim como não se sabe do seu começo,
nunca termina
tatuado a fogo,
para sempre arde e dói
apesar de sua permanência
breve.
Pena de ave sem pouso,
na alma,
para sempre pesa.
Saramar
DOS CAMINHOS DESFEITOS
Postado por
Saramar
on terça-feira, novembro 04, 2008
/
Comments: (22)

Volto às ruas da velha cidade.
Entre cafés e tormentos, nada encontro
nem o eco dos sonhos que sonhei contigo.
Cansaram-se as pedras de esperar.
O tempo atravessou as antigas ruas
segurando minha mão, pedaço trêmulo
de uma ave sem asas e sem abrigo.
Eu, que me quisera Lígia,
pisando flores em caminhos de idílio,
nestas velhas ruas, deixei
o rubro traço dos meus pés feridos
e as marcas de sal nos muros
que souberam do nosso amor
para sempre perdido.
Saramar
VIVO PARA LEMBRAR DE TI
Postado por
Saramar
on sábado, outubro 25, 2008
/
Comments: (14)
Esquecidas de viver,
as palavras vão morrendo
como uma tarde qualquer
de portas trancadas.
A saudade,
fina dor dos intervalos,
vai ferindo sempre
e ri da morte.
eu também morro
(porque te amo)
e vivo, entretanto,
para lembrar de ti.
Saramar
as palavras vão morrendo
como uma tarde qualquer
de portas trancadas.
A saudade,
fina dor dos intervalos,
vai ferindo sempre
e ri da morte.
eu também morro
(porque te amo)
e vivo, entretanto,
para lembrar de ti.
Saramar
PERTURBAÇÃO
Postado por
Saramar
on quarta-feira, outubro 15, 2008
/
Comments: (12)
FRAGMENTOS
Postado por
Saramar
on quarta-feira, outubro 08, 2008
/
Comments: (9)
O que não tem certezaNem nunca terá!
O que não tem concerto
Nem nunca terá!
O que não tem tamanho...
Chico Buarque
Havia a lua em algum lugar
e os sonhos azuis da lua.
Havia um devaneio,
segredos de amor
até entontecer.
Havia um orvalho tímido
na pele
beijos em névoa, madrugadas.
Havia palavras felizes
maiores que o sol
abrindo as manhãs.
Havia frestas, flores
no meio do dia
e horas de querer.
Eras de outras horas
outro haver
outro... que não passa.
Saramar
e os sonhos azuis da lua.
Havia um devaneio,
segredos de amor
até entontecer.
Havia um orvalho tímido
na pele
beijos em névoa, madrugadas.
Havia palavras felizes
maiores que o sol
abrindo as manhãs.
Havia frestas, flores
no meio do dia
e horas de querer.
Eras de outras horas
outro haver
outro... que não passa.
Saramar
FALTA MINHA, DE TI
Postado por
Saramar
on quarta-feira, setembro 17, 2008
/
Comments: (22)

Eu sei, devia ter avisado
contado da ausência de mim.
Bem podia ter escrito que
mais nada sei dizer do nosso amor.
Se tivesse previsto
pintaria murais mexicanos
ou espanhóis
dizendo do que pisou em minhas flores
e misturou as cores com a terra
o final de tudo, afinal.
Eu devia ter dito que iria faltar
ao encontro com minha dor.
O poeta bem avisou que
a dor também se cansa de tanto doer
porque ofício mais triste não há
este de ferir constantemente
alguém que só sabe amar.
Se voz ainda me restasse,
teria contado que parti.
Mas para quem diria
se não há mais alguém para ouvir?
Saramar
SEM TI
Postado por
Saramar
on domingo, setembro 07, 2008
/
Comments: (11)

Árida agora, já morro
com a secura dos corações
que se arranham em muros,
destroçando flores enquanto sangro.
Tua ausência, meu cárcere,
negro mar, onde os sonhos morrem,
ondas a se desfazer nas rochas.
Tua ausência, as escarpas
onde rasgo as mãos.
.............................
Agora, rota a alma,
é tarde, é muito tarde.
Saramar














