NOITE


Faltam-me os versos
e rasgo, toda noite,
os pulsos,
na fome de agarrá-los e
passam por mim em irônica fuga.
Desta dor, só eu sei.
Dentro da mudez, já perpétua,
rasgo os pulsos, mordo a língua
e nem um grito
ou algum gemido
rompem a página fria deste silêncio.

7 comentários:

Nydia Bonetti disse...

Ah, Saramar, os versos não... Os versos não deviam fazer isto com a gente. Mas eles já voltaram, neste poema intenso e arrebatador.

beijo, querida.

Fernando Campanella disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Fernando Campanella disse...

Boa tarde, gostaria de agradecer, inicialmente, o belo comentário que fez em mais recente postagem de meu blog. Acuidade, insight, sensibilidade acompanham esse comentário, para além do 'bonito', 'gostei', somente. Quando vc diz em um sentimento atávico, o diz com toda propriedade. E fico feliz que uma certa dor das coisas que passam , que nos escapam, uma certa busca de algo que nem sabemos o quê, venham acompanhadas de uma certa leveza, como vc muito bem diz.
Muito obrigado, conheci teu blog hoje e sinto que vc faz uma poesia de entranhas, das profundezas, do instante de busca pela mesma poesia que ora nos vem, ora não. Grande abraço.

Francisco Dantas disse...

Olha aí, que festa tê-la de volta e com um poema que exprime, com "unhas e dentes", a luta do poeta, do artista, com a matéria-prima de sua arte, no caso, a palavra. Que luta, não? Um beijo, amiga. Bom retorno.

Moita disse...

Gritar também é preciso. rss

1 cheiro

L. Rafael Nolli disse...

Saramar, poema profundo, além da carne, no osso mesmo! Muito bom!

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