NEGRA CANÇÃO


Não me desespero
procuro guarida nas vozes dos poetas,
pastores de sonhos e suas armadilhas,
mergulhados nas nuvens de toda paixão.

Com a negra canção do pranto,
ao ausente que tanto de mim se despediu,
disperso as palavras frágeis da saudade
até amanhecer.

E saio às ruas molhadas de cada manhã
os olhos molhados, as pedras molhadas.
Tropeçando em mim, só ele vejo,
que nada mais existe
nem as tardes de ensolarar as cortinas
sempre abertas...
só essa ausência.
Tudo mais passou.

Mas ainda sigo a salvo,
não busco pouso nem louvo a dor
nela me desfaço.
Dela me disfarço nas vozes dos poetas.

Saramar

11 comentários:

Mimi disse...

também dou minhas tropicadas. Mas levanto, e sigo, esperando cair um dia de novo...

beijos, Saramar

Sônia disse...

Belíssimo Saramar!



Abraço!

Ricardo Rayol disse...

só a imagem já é teriivelmente triste.

Jane disse...

Lindos poemas. Adorei.

Tina disse...

Oi Saramar:

Eu sempre tento não me desesperar...

Lindas palavras, lindas.

beijo grande,

Bill Falcão disse...

Ah, as vozes dos poetas sempre nos ajudam, principalmente nos piores momentos!
Obrigado por sua visita lá no Me Deixa!
Bjoooooooosssssssssss!!!!!!!

poetaeusou . . . disse...

*
as vozes dos poetas,
o cais do nosso abrigo ...
o colo das nossas angustias ...
,
quem tira as reticencias
ao meu mome ,
poetaeusou ... (...) ?
,
conchinhas
,
*

meg disse...

Saramar

Poema belo mas muito triste e tão verdadeiro quantas vezes!

E saio às ruas molhadas de cada manhã
os olhos molhados, as pedras molhadas.
Tropeçando em mim, só ele vejo,
que nada mais existe...
...
só essa ausência.


Um abraço

Janaina Staciarini disse...

Eu senti a ausência presente no seu poema.
De onde vem tanta poesia linda, Sara?
Beijos.

Zeca disse...

E seu disfarce nas vozes dos poetas permite que se vejam "as tardes de ensolarar as cortinas sempre abertas..."

Jacinta Dantas disse...

E quando a ausência é o que se tem de presença, disfarçar-se na poesia é um refrigério para a alma.
Sempre, sempre, sempre...encantada com o que escreves!
Abraços