MULHER


Sou mulher,
do meu mundo,
empunho o remo
e não me tremem as mãos
em nenhum momento,
a não ser que algum quebranto
de dor
ou tormento
de amor
acenda o vento
e aqueça o tempo
em minhas águas.
Navego.
e o leme,
se áspero e belicoso,
é o meu mundo
e não me entrego,
ou me entrego.
quando não nego,
canta o vento,
dos meus gemidos,
invejoso.
Sou mulher e lamento
que ainda é curto
o tempo de não servir.
que antes, por muito tempo,
e ainda hoje,
ando sobre carvões acesos,
enquanto riem dos saltos
e dos uivos queimados
da antiga dor.
No entanto, navego.
e, se qualquer prumo enfrento,
é que me agrada o riste, o lume
da vida em líquido surgimento
e banhar-me neste prazer
é o que intento,
lépida serpente.
Sou mulher e invento
o sabor do veneno
de cada dia,
o alimento meu é o que sacia
quem navega no meu mundo,
pélago, maresia.
Saramar

Imagem: Bernhard

8 comentários:

Voodoo disse...

Bom dia meu Anjo,

Feliz dia das mulheres, ontem, hoje e sempre.
bjs

Claudinha disse...

Com um poema destes, todas nos sentimos homenageadas! Inventar e reinventar, ser veveno e antídoto, enfrentar e amar sempre... Que lindo... parabéns pela mulher que é!

lena casas novas disse...

Falou bastante...

Ricardo Rayol disse...

são multiplas as facetas das mulheres

Márcia(clarinha) disse...

Não existe maré que iniba a mulher.
Bela poesia, doce Saramar
dias lindos
beijos

Fenrisar disse...

See Here

Angela Ursa disse...

Saramar, fiquei emocionada com seu poema em homenagem às mulheres. Muito lindo! Beijos da Ursa :))

Alessandra disse...

maresia, nebuloso, denso, líquido, potencial!