DISTRAÍDA
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Saramar
on quinta-feira, outubro 26, 2006
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UM BEIJO SÓ
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Saramar
on segunda-feira, outubro 23, 2006
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Basta um beijo, um beijo só
e minha alma se abrirá em sorrisos,
em água fresca e música matinal.
Basta um beijo, um beijo só
e recolho meus retalhos perdidos,refaço-me inteira em seus lábios.
Basta um beijo, um beijo só
e ressurjo em minhas vestes de
deusa para desnudar meus desejos.
Basta um beijo, um beijo só
e busco em baús as fantasias que guardei,
coloridas de amor para lhe entregar.
Saramar
LÁGRIMAS
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Saramar
on sexta-feira, outubro 20, 2006
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Não sei se choro
não sei se rio
sei das marés
dos mundos vazios.
sei das águas
que rolam em pares,
em pedras, em cios
suculentos de dores,
em chuvas contínuas
dos meus olhos baldios.
Saramar
FOME
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Saramar
on quarta-feira, outubro 18, 2006
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VÉU
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Saramar
on sexta-feira, outubro 13, 2006
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Sultão, escolhe-me em apenas uma
de suas mil e umas noites,
perfuma minha boca com teus beijos.
Vê esses véus, toca-os e, quem sabe,
nalguma aragem, num meneio,
num açoite de mais beijos,
encontra entre eles
a flor, o pêssego,
que em mel banhados,
prendam para sempre nos meus,
os teus desejos.
Saramar
Imagem: Rodin
MANDEI-TE UMA CARTA
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Saramar
on quinta-feira, outubro 12, 2006
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Mandei-te uma carta perfumada,
em papel novinho, falando de amor.
Falando dos encontros que não marcamos
e das serenatas que ainda vais compor.
Na carta, falei das noites (tantas),
dos meus lábios que suplicam pelos teus,
das carícias perdidas em gestos sem rumo.
Disse também o que já teu coração pressente,
do amor, orvalho noturno, fantasia de Schubert,
pássaro solto em meu peito, mágico tapete
que me leva a percorrer cordilheiras,
a abrir clareiras em mim e em ti.
Mandei-te uma carta perfumada.
Há mil destinos em tua resposta.
Saramar
Imagem: Françoise Conzalez
FALA-ME DE AMOR
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Saramar
on quarta-feira, outubro 11, 2006
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Hoje, fala-me de amor
desmancha meus medos
afasta esses sortilégios
da minha vida sem razão.
fala com flores
fala com versos.
Hoje, fala-me de amor
com grandes gestos
com todos os
beijos incertos
de quem se entrega
e entre carinhos
se perde.
Hoje, fala-me de amor
mesmo mentira
mesmo assim
te entrego
como criança
a vida e os sonhos
vê, preciso de ilusão
e vivo de esperança.
Hoje, fala-me de amor
e da beleza de amar
mesmo à distância
em grande tormento
diga que de me amar
constróis teus dias,
e farei do teu amor
meu alimento.
Saramar
Imagem: Rotari
CONSTRUÇÃO
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Saramar
on sábado, outubro 07, 2006
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Farta de concordância
desato o verbo e
exijo que as crianças
reconstruam o mundo
com a argamassa
do sonho e do riso.
Refaçam-se as metáforas
povoem os livros de flores
e enxotem as palavras
de ordem.
Acabem com os sujeitos ocultos
da guerra e seus objetos mortíferos.
Ressuscitem a alma das crianças
para chorar outras crianças
mortas, enfim inatingíveis por obuses
e por absurdos cruéis dos
monstros carnívoros,
senhores das frases duras,
das armaduras.
Procurem outros tempos
em que os verbos se conjuguem
no presente e no futuro,
traduzindo-se em esperança.
Apaguem as orações radicais
e em seu lugar deponham as armas.
Destruam as onomatopéias malignas
das balas tracejando em corpos
infantis e colorindo de vermelho
a infância e a juventude.
Desmontem os mísseis,
trocando-os por cartas de amor,
de amizade, de perdão.
Acendam a luz nos olhos
dos velhos, cansados de
procurar a mensagem
dos deuses em sangue e lágrimas.
Basta de antônimos,
queremos igualdade de termos
queremos construir juntos
os versos livres,
os versos límpidos da
PAZ!
Saramar
Imagem: Picasso
SEM PALAVRAS
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Saramar
on sexta-feira, outubro 06, 2006
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Ando sem palavras
mas cheia de esperança
ando sem palavras, sem meios
sem nada, mas brinco, criança
em parque de diversão, alada.
Ando sem palavras e preciso
falar do meu amor guardado,
a se revelar em gesto conciso,
em música, em vento, em mar.
Ando sem palavras, então canto
os versos de amor que não são meus
para encantar meu amado, enlevá-lo,
apesar da saudade e deste pranto.
Saramar
Imagem: Wolves
ENTREGA
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Saramar
on quinta-feira, outubro 05, 2006
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Tentei compor a canção dos amantes
construindo os acordes da paixão
cuidadosamente se fazendo em
gestos, olhares, pontes.
Tentei compor meu amor em
cotidianos, músicas e cores.
Agora, amor, entrego-lhe
meus sonhos e a razão.
Feliz, entrego-me também,
sem medo ou hesitação,
ao seu mundo, construído
com as palavras de amor
que você me diz.
Saramar
Imagem: Durer
NADA
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Saramar
on quarta-feira, outubro 04, 2006
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ATRIZ
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Saramar
on domingo, outubro 01, 2006
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De tantos disfarces me visto.
De gestos e gritos, vozes, vestidos.
Fujo de relógios e me envolvo
em cortinas de silêncio.
Lanço dados sem números.
Erro o passo e me aprumo.
Apóio-me em frágeis amores,
falsas bengalas.
Dou-me, renego e volto ao ninho.
Desterro-me,
por amor me degredo.
Provoco minha própria história.
Artesã dos meus dias,
invento falas, mas
aceito desenhos e diálogos.
Desmonto possibilidades.
Faço e me desfaço.
Choro de rir,
mergulho em lágrimas.
Lavo-me. Limpa,
volto aos dias claros.
Renasço das águas,
pobre Afrodite
no tablado da vida,
Fecho as cortinas,
até o novo dia.
Saramar
Imagem: Shell Bell
PERCURSO
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on sábado, setembro 30, 2006
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E AINDA FINJO, AMOR
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Saramar
on quinta-feira, setembro 28, 2006
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E ainda finjo escrever, amor,
quando nem consigo dizer o
quanto te amo e me entrego.
nem consigo dizer das horas
de enlevo, quando me quedo
ao teu lado, contemplando
teus sinais, colhendo suspiros
que imagino de amor, deste
amor que toco com meus dedos
amedrontados, cristal que pode
se romper e entornar minha vida
entre riscos e falhas do chão
em que me recuso a pousar
pois, contigo sou pássaro,
borboleta e pétala solta
dançando sobre ti, perfumada
e leve para não perturbar a
calma que deixas onde ficas.
Eu te amo, meu amor, tanto mais
quando, sozinha, percebo a parte
que me falta, arrancada quando
vais e levas em ti, o cheiro, a saliva,
as palavras, minhas palavras
desse amor infantil, meio sonho
que sinto por ti.
Saramar
NADA SEI
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on quarta-feira, setembro 27, 2006
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Não sei por que espero
o amor, este engodo dourado
que me manteve presa em
seus lábios por outros molhados.
Não sei por que improviso
as noites em meu corpo se
nunca está em mim,
mesmo se mira meus olhos
com seus olhos cansados
de tanto contemplar a beleza
que não tenho para o desesperar.
Não sei por que o espero
se seu amor sempre foi
farol às avessas e me levou
às ilhas ilusórias da paixão
lá me deixando nua, sem sol,
mais nua que sua indiferença.
Não sei, nada mais sei
a não ser da presença deste amor
que você olha com o desdém
dos deuses e a frieza dos desalmados.
Amor sem fogo na manhã.
Quimera de um solitário querer.
Saramar
Imagem: Bernadete Triki
AMOR MORTO
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SOU COMO SOU
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on terça-feira, setembro 26, 2006
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VIAGEM
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on sábado, setembro 23, 2006
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Um bandoneon na madrugada
enche de suspiros minha calma.
Pessoas desfilam indiferentes
à música que rasga o peito dos amantes.
A alma tonta de sons, os sonhos todos,
A saudade de uma voz que não ouço,
mas que canta em meus sentidos.
As mãos e os lábios que nunca toquei
não, não fui eu que os busquei.
Foi o tango.
Saramar
Imagem: Jocelyn Haybittel
OUTRAS PALAVRAS
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on segunda-feira, setembro 18, 2006
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PALAVRAS
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on domingo, setembro 17, 2006
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ONDE ESTÁS?
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Saramar
on sexta-feira, setembro 15, 2006
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Vê o que meus olhos dizem.
Setas mergulhadas no fel.
Do amor, carregam a sina,
caídas em desvãos, ao léu.
Cega, dispersas retinas,
erro o trajeto, descaminho-me
e de ti, perco o rumo, apesar
de ir sempre ao teu encontro.
Onde estás que não me ajudas
a encontrar teus passos
e mostrar meus olhos tristes?
Por que não vens nas runas,
no tempo previsto dos astrólogos
ao encontro dos beijos que guardei,
fogo em minha boca?
Por que se perde também?
Vem.
Busca os mares e, aventureiro,
cruza o meu destino e toma
o que hoje é de ninguém.
Saramar
Imagem: David Stevens
TODOS OS AMORES
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on domingo, setembro 10, 2006
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Eu o amo como criança,
em deslumbramentos.
Sigo seus passos.
Borboleta, toco seus dedos
como em flores.
A força e a beleza o fazem totem.
Aos seus pés, vivo em adoração.
Pássaro desarmado, eu o amo
cantando em seus dias, arrulho,
colorindo de amor suas manhãs.
Eu o amo, primeira namorada,
buscando em seus refúgios
a doçura dos sonhos
e os prantos escondidos
e seus fragmentos.
Eu o amo para sempre
como amam todos os amantes.
Mãe, eu o amo nas noites
colho suas dores,
enterro-as em mim
para que não mais voltem.
Eu o amo tranquilamente.
Leda, eu o amo em delírios,
em transes de amor.
E o quero deus e suas asas
insensatas em meus seios,
a fazer perder minha alma.
Eu o amo com o abandono
das mulheres perdidas de amor.
Arrasto-o em meus mares
escuros e pesados.
Inundo seus sentidos.
Náufrago em minhas noites,
renasce todas as manhãs
de tanto amar.
Saramar
Imagem: Michelangelo
BILHETE (*)
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Vou lhe dar até o dia dos namorados
Para descobrir que me ama demasiado
E que sou a mais linda rosa que já colheu
no jardim da sua vida de eterno apaixonado.
Para que busque em seu coração
os mais belos sentimentos de amor
e derrame-os sobre mim, qual chuva
ou orvalho noturno saturados de cor.
Caso não descubra até lá, morrerei.
Meu coração partido por essa paixão
Se desmanchará em lamentos e ais
Por esse amor não correspondido e vão.
Mas, se descobrir e vier com flores
E beijos, bombons e linda melodia
Para finalmente declarar que me ama,
Juro que não mais lerá este tipo de poesia.
Saramar
(*) este poema surgiu de uma brincadeira com um poeta sobre escrever obviedades românticas.
Imagem: Ana Scott
SEDA
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Saramar
on quarta-feira, setembro 06, 2006
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Fio sem nó.
Enquanto eu,
bicho de seda
Enquanto eu,
bicho de seda
só.
Saramar
Saramar
Imagem: Kataken
QUANDO?
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Saramar
on sábado, setembro 02, 2006
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MENTIRAS
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Saramar
on quinta-feira, agosto 31, 2006
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Por onde vou dispersa em meu logro?
Não há linha, nem fogo a limitar os
rasgos de falsos amores que cultivo
ou a solidão a que me entrego,
mulher sozinha e sem abrigo.
Bebo, bebo nestes cálices inusitados
e o sabor da fome em meus lábios,
o calor das mãos que me roçam
e me desfazem em ventos loucos
nada mais são que mentiras quando,
Não há linha, nem fogo a limitar os
rasgos de falsos amores que cultivo
ou a solidão a que me entrego,
mulher sozinha e sem abrigo.
Bebo, bebo nestes cálices inusitados
e o sabor da fome em meus lábios,
o calor das mãos que me roçam
e me desfazem em ventos loucos
nada mais são que mentiras quando,
desenfreada, acordo a noite
para que ouça meus lamentos.
Saramar
Saramar
À ESPERA
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Saramar
on terça-feira, agosto 29, 2006
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Havia um piano e a música
sozinha e vertical escorria
em fragmentos fugindo do
barulho da rua.
Havia um brevíssimo espanto
na noite. A espera, a urgência
de amante e a surpresa da
chegada, há tanto, ânsia.
Havia o vinho em belo talhe
de cristal e os pêssegos
de doçura proposital
para aquele que, faminto, viria.
Viajante a sorver esses cuidados
com lábios e bocas e braços,
quase animal, de suspiros,
de precisos olhos de animal.
Havia a mesa posta onde
os pratos esperavam o calor
do alimento partilhado entre
beijos e garfos.
Havia o quarto onde o silêncio
aguardava as chamas que viriam
finalmente desfazê-lo em
risos, murmúrios e ais.
Havia um mundo recém-nascido
de ofertas e vontades.
Um mundo sem asperezas,
só segredos, imprudências e
circunstâncias, botões e rosa.
Havia amor, indisfarçável.
Ninguém nunca veio habitá-lo.
Só este silêncio e os desejos
soltos, perdidos neste canto
de solidões.
Saramar
Imagem: Ana Maria Russo
PAUSA PARA O ANIVERSÁRIO
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Saramar
on sexta-feira, agosto 25, 2006
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Nesta semana, estou em festa!
Um ano, amigos, um ano tentando escrever poemas.
Raras vezes consegui, é verdade.
Tantas vezes, olhando para essa tela, lendo o que havia escrito, pensei em desistir. Mas, escrever é vício, mesmo para quem é aprendiz e mau aprendiz.
Por isso, continuei.
Neste ano inteiro do blog, que começou despretensiosamente, aprendi a não desistir, aprendi a pôr meus sentimentos e sonhos em palavras, pobres palavras, mas verdadeiras e importantes para mim.
Neste ano do blog, o melhor de tudo foram as pessoas maravilhosas que conheci e que se tornaram meus amigos, meus incentivadores (ai, ai), apesar da poesia meio torta e sem ritmo, sem rima, sem musicalidade.
Agradeço a todos que me lêem e mais ainda aos que comentam, encontrando beleza onde há apenas uma canhestra tentativa de escrever.
Sem vocês, o bloguinho não estaria fazendo aniversário e eu não estaria com a alma em festa.
Beijos e muito obrigada.
Imagem: Jules-Alexandre Grun
SERÁ AMOR?
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Saramar
on quarta-feira, agosto 23, 2006
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É amor?
Essa febre, esse fogo,
esse gelo nas veias?
Garganta fechada de soluços,
a alma despida em esperas,
e o corpo que por outro anseia?
O que tem o amor
com esses olhos perdidos, noturnos?
E com mesas postas de feras
perdidas em mistérios de dentes,
de garras, de pétalas em seios?
Será amor?
Ou o cruel tridente
da paixão a abrir em meu mundo
fontes de mel em uma única flor?
Saramar
ENQUANTO HOUVER SOL
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Saramar
on domingo, agosto 20, 2006
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O sol acorda a manhã
e seca todas as poças
o sol acorda a mulher
e apaga todas as lágrimas.
Meio dia
fome inteira
de você
sol a pino
visões
entre a multidão
de sozinhos.
Sol
a vida em tom maior
calor nos olhos
calidez e esperança
tarde se desmanchando
mas ainda não é tarde.
Cores se desfazem
em nuvens quentes
sol e lua
lua e sol.
Enfim, silêncio
e estrelas engolindo
o dia.
A tarde se foi
levando as cores.
Agora é tarde.
Saramar
Imagem: Arnie Rosner
CHUVA
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Saramar
on sexta-feira, agosto 18, 2006
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Chove e há um ar de dança nas folhas.
Passarinhos desenham malabarismos
nas poças, nos riachinhos largífluos e
em ramos alegres, quase marítimos.
Chove, chove longamente e as ruas
brilham, líquidas, rios efêmeros.
A chuva carrega os passantes e cria
ilusões de sombras e luzes e névoas
que também dançam em calçadas nuas.
Lá fora, a chuva é festa na tarde fria.
Aqui dentro, é tempestade de mágoas.
Saramar
Imagem: Denis Lolet
TALVEZ....
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Saramar
on quarta-feira, agosto 16, 2006
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Perturba meu coração
um aroma de flores.
Será sonho ou essa saudade
a desarrumar meus sentidos
para iludir minha solidão?
Será ele que finalmente
chega envolto em ternuras?
Será ele, o longínquo amante
que, em leito de odalisca indiferente
esqueceu-se dos meus braços,
antes mornos de paixão,
que agora gelam à sua espera,
vazios e inúteis?
Saramar
Imagem: S. G. Rose
ESPERA
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Saramar
on domingo, agosto 13, 2006
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Meu amor,
Eu te esperei desde a madrugada
Não vieste com as estrelas
apenas o sol viu minhas lágrimas.
Eu te esperei
plantei margaridas e sonhos
sob as mangueiras
e não vieste.
despetalei, fiquei nua
limpei os vãos,
molhei as flores,
enfeitei os espelhos
com meu vestido amarelo
perfumei os seios
e não vieste.
Agora, neste ermo
do mundo inteiro
neste quintal
entre os pirilipampos
em torno de suas luzes
Canto a música dos sós
em murmúrios.
quem sabe ouves
e vens?
Saramar
Imagem: Roel Hofman
QUEM É VOCÊ?
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Saramar
on quinta-feira, agosto 10, 2006
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Quem é você que me toma em bastidores
E faz dos meus sonhos palco iluminado?
Quem é você que me faz bailarina
Em seus braços, surdo aos meus temores?
Quem é você feiticeiro encantado
Que se desmancha em serpentina
A me envolver colorido, em festa
Dos sentidos, em doces langores?
De onde veio e por que fica em mim,
Deus vermelho, paixão, nó de desatino?
Se inclemente, cerrará de vez a cortina
E, dançarina sem prumo, exausta e calma
Descansarei minhas pernas tristes
Sob refletores cegos como minha alma?
Saramar
Imagem: Degas
GUERRA
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Saramar
on segunda-feira, agosto 07, 2006
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Os homens travam suas guerras
E arrastam sorrisos congelados
Desde o lúgubre tempo da bomba
Ou da bala, até o vácuo de terra
Que acolhe suas crianças mortas,
Último berço,
Definitivo colo, de sombra.
Os homens escrevem manuais,
E levam suas palavras assassinas
A outros homens, sábios sádicos
Que ensinam em suas páginas vermelhas,
Mil mortes.
Para as dores, nenhum vocábulo,
Nem parênteses.
Os homens matam os homens
E destroçam as crianças,
Abrindo gritos de loucas
Em bocas, antes maternas
Agora roucas pela poeira
Deixada por bombas, balas,
Baques emudecedores
De qualquer humanidade
Os homens e suas guerras
Parem dores em parto
De morte e ecos de dor.
Parem, parem a guerra.
Parem.
Paz!
Saramar
CONVITE
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Saramar
on sábado, agosto 05, 2006
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