AMOR


Nesses laços que o amor
(sorrateiro) cria,
há que se pisar de leve.
O amor é breve,
é fio que se rompe
ao sopro mais impossível,
a um sorvo diferente
de ar.

Se dele não há como desenredar-se,
sorrateiramente
desfaz o que se pensava pronto
e solto, solta-se por aí,
balão que, de pouco em pouco
perde a cor
bem diante dos cegos olhos,
cegos de tanto o contemplar.

(
O amor não é o quadro de enfeitar.
É antes, a parede que se põe abaixo
e o que há depois dela
).


Saramar

Imagem: Joan Miró

TEMPO, TEMPO


Tudo vai passar.
essa flor, o copo, a sede e

o assombro das horas vazias.

Vai passar a espera e
a nostalgia do encontro
que nunca se deu.

Passarão também as horas
ainda que lentamente
e as noites saltarão sobre mim,
lupinas,
invadindo os dias.

Tudo vai passar,
a não ser o meu amor,
avesso do céu
e essa dor, essa dor.
Saramar

Imagem: Lady More

ASAS


seu vôo não é o meu.
mais alto, vivo,
além de qualquer roupagem.

depois do amargo do dia, vou.

meu pouso é em sonhos,
do contrário, vôo.

não se iluda amigo,
não vou na direção da certeza,

louca? sou.
Vivo dessa mania de planar em miragem.
Saramar

Imagem: Elvira Amrhein

NÃO FOI POR QUERER


Não foi por querer
foi um por um triz e
o disco de Dolores
tem tudo a ver.
Não, eu não quis
o olhar de fogo
nem o sorriso,
candelabro aceso
logo agora
que minha boca
fingia esquecer
seu beijo de giz.
Saramar

Imagem: Willian Dyce

UM BLUES


eu amo você
e de que adianta?
não vê as portas abertas,
meu coração oscilando,
como um copo à beira da mesa
à espera de uma palavra de amor.
e nem precisa tanto,
bastaria um blues no bar mais próximo,
um beijo de mentira,
meu baton desfeito
e, no espelho,
ao lado da solidão,
a certeza refletida do amor
que não existe

senão em minha alma triste.
Saramar

Imagem: Daeni Pino

Hoje tem um poeminha novo lá no blog do Leo.

O AMOR QUE JÁ FOI MEU


Pode, por favor, emprestar um lenço,
o ombro, segurar minhas mãos?
O gelo que sente não é frio
(está tão quente o dia)
nem essas lágrimas são de alguma
dor renitente.
É o meu amor (eu pensei)
que passa ali,
veja como vai contente,
como sorri!
É ele e o seu presente
onde não estou, pode perceber
Ele e seu novo amor
(olho o espelho quebrado para fingir que
quem está ao lado dele, é o meu reflexo, sou eu).
Sim, sou dada a essas ilusões,
não repare.
Só segure assim minhas mãos
logo elas também entenderão
essa estranheza da pele,
o toque da melancolia.
Veja, já sabem.
Perdão, não adianta o que faça,
estão para sempre frias.

Saramar

Imagem: John Godward

FALAR DE AMOR

Catarse,
sina, sonho?
Falar de amor,
prazer ou dor?
Não sei.
Sei, entretanto que meus amores, aquelas pessoas do meu coração, que amo, que admiro e respeito pela beleza da alma, nunca se cansam de mimar esse meu coração.
Mimos? Ai, sim, muitos.
A
Tina, a Luma, a Mary, a Letícia e o Mário
(esses anjos que se fingem de gente
para nos encantar) me encheram de flechadas de amor.
Obrigada, anjos que, em meus versos lêem o amor e o desejo de amar.

MENDIGO


O amor, esse mendigo,
vive batendo à minha porta
e quer água para sua sede
e me leva as roupas do corpo.
Saciada sua fome,
satisfeito, sonolento,
o amor dobra a esquina
em busca de outro porto.

De tanto entregar, exaurida
percebo que o mendigo
levou tanto, levou tudo
deixando só o vazio,
levou minha própria vida.
Saramar

Imagem: Eugene Carriere

CÔNCAVO


Deitada no seu colo,
como maçã com casca e tudo
ouvindo Chico
(
Preciso conduzir
Um tempo de te amar,
Te amando devagar...
)
desenho coisas no vento
da minha cabeça
coisas de amar.
seu corpo abarca o que sonho.
inicio assim a viagem,
de pernoitar no calor,
colar no seu peito,
colar?
Não me calo,
pelo seu corpo, viajo,
oceano de navegar.
Saramar

Imagem: Robert Heindel

NAMORADOS

Subitamente
uma música rompe o medo
é sua voz e me chama
-Vem amar .
E vem pelos dias,
canta versos,
e me diz
-Amada!
E se cala e me calo
mudos desse amor .
Subitamente
é dança
e minha mão adora seu rosto
e sua mão adorna o meu,
apaixonado.
Namorados
Saramar

Quer ler outro poema pequenino de namorado? Vá lá no blog do Leo.

NEBLINA


"Alguns são nascidos para, na noite infinda, chorar. "
Willian Blake
Se já nem posso ser sua
anoiteço assim como quem dorme
em inesgotável madrugada sem sonhos.
Desperta, um vinho arranha a garganta,
um pedaço de lápis rabisca a folha branca.
Busco sua sombra na neblina mansa
que enregela flores no jardim.
Tanto frio, tanto.
Meus ossos doem,
minha alma dói,
meus olhos doem
dessa ausência já tão íntima
e da obstinada espera,
sem possibilidade, sem fim.

Saramar

ESSE AMOR


Falta uma gota de sangue
neste amor em preto e branco
que brincamos de amar.
Falta um gemido de dor,
um pedaço de vida
nesta fantasia que inventamos de usar.
Falta a festa, falta o riso e
a impressão digital.
Falta o espanto da sua mordida,
falta a cor do meu sangue e
o suor do seu peito salgando minhas costas.
Falta o retrato, o grito e a porta batida,
falta a despedida, o pranto,
a volta e o canto.
Neste amor, falta um tango.

Saramar

Imagem: Dagmar Zupan

INSÔNIA II


Continua a madrugada.
Pesa em meu leito a névoa,
a lua se esquece sempre de ir.
Aqueço-me com os velhos dias.
As lembranças,
lobos que assaltam em banquete,
simulam os sonhos que não alcanço.
Continua a madrugada.
E já parece meio dia, dia inteiro,
mas nenhuma estrela se apaga.

- Deixem-me, lobos,
companheiros das longas madrugadas.
Não quero, sobre os velhos dias
me debruçar e, Narciso às avessas,
encontrar apenas desolação e tristeza
.
Saramar

Imagem: Joel Sartori

PINTURA OU CANÇÃO?


Deixa-me colorir teu corpo
com meus olhos de amor
e nele desenharei, com seda,
todas as carícias ainda virgens ,
de tua pele.

Há uma febre em minhas mãos,
rabisco morna, tuas costas,
queimo teu peito
deixo outros traços,
de beijo.

No molde das minhas,
desenho tuas coxas,
mudando as cores, arco-íris,
arco de flores
em totem de feroz pintura.

Onde a tela, onde a paisagem?
Já me perco nos tons que ensaias
ao mais leve murmúrio de minhas mãos.
Perco a cor, misturo os tons,
mestiça imagem,
Em meu traço, teu corpo ou meu?
Pintura ou canção?

Saramar

Há um poema lá no lindo blog do Leo. Vá ler, por favor.

SEM REMÉDIO




Não, não é o mar
que nos separa.
É a ausência de cais.

Saramar

À FLOR DA PELE

Para quem não me conhece,
eu agora me apresento.
Não sou flor de se cheirar,
mas tenho momentos de saciar,
fastio de desejos, malemolências.
Rendo-me facilmente aos sentidos,
basta me provocar
uma flor ou um lamento,
gosto de consolar.
Mas não aceito restos de sonhos
nem flores mortas,
nem paredes de vidro.
Se chegas, porém
com jeito de me aceitar,
entrego-me, ponho-me a agradar
com cheiros, sabores de entontecer.
Gosto de ser mar e invadir
e amolecer, com dengo.
Melíflua, deixo por onde passo,
doces traços dos meus alados bailados
de quando me fazem flutuar.
Prefiro o tempo bom,
as cortinas abertas,
mas entendo necessidades
de penumbra,
de alimento e pão e forno
e quenturinhas irreveladas.
Não se preocupe, sou banal
mas não se iluda,
aspiro à beleza das borboletas
e sua inconstância.
Muitas vezes, sou equívoco.
Menos mal se não houvesse horas,
viveria, então, só de amor
beija-flor, beija, beijo, beijo.
Sou cálice cheio até a boca
e me derramo ao menor toque.
Nas noites, finjo que sou deusa,
capaz de algum furor,
quem sabe um amor,
mas passa rápido,
pássaro de andar pelo ar,
ilusão de sábado.
Falta-me um destino para tanto ser.
Faltam-me os braços de me segurar
para neles enlanguecer.

Saramar

Imagem: Lizette Luijten-Daas

Este desnudamento é a propósito de um meme, dado a mim,
presente dos deuses, da minha amiga-deusa,
Daniele.

VINGANÇA


As marcas que em mim deixaste,
outras bocas apagaram.
Vingança triste e inútil.
Gravadas em fogo e fel,
tuas últimas palavras,
como mímica de loucos,
permanecem intocadas,
em dança sem fim
apesar do meu parco sentir.
Depois de tua ida,
todos os invernos moram em mim.
Saramar

Imagem: Tania Muller

INÍCIO OU FIM?


Deitar no teu peito, "fera exausta",
é o fim ou início do delírio?
da noite mais longa?

Ainda buscas em meus seios,
o cheiro, a maresia que deixaste?
Início ou fim?

No luzir das primeiras horas,
o dia em nós já veio antes,
pois que nascemos sempre,
ao morrer, entre pernas, beijos,
no chão que se abre
e no vinho que, sedento,
bebes em mim.
Saramar

Imagem: Munch

GUARDA-CHUVA


Que importa a chuva
se tenho seu corpo
para me cobrir?

Saramar

Imagem: Cininha

MINHA CASA


Minha casa é só minha.
Nela enlangueço em dança,
abro todas as portas,
cheiro o ar,
enfeito.
Em minha casa me deito,
choro e adormeço
para acordar refeita
de tanto perfume espalhado.
Em minha casa há segredos
que só meus olhos contemplam.
Se, em alguns dias, esfria,
sei bem onde devo
pousar o fogo,
acender o lume.
Minha casa, só minha,
meu início do dia,
meu noturno aconchego,
minha casa é seu corpo,
onde todo dia me deito.
Saramar

Imagem: Klimt

Hoje tem um poema novo lá no blog do Leo. Não gostaria de ler?

JOÃO E MARIA


Tantos caminhos abriu em meu corpo
tantas lendas de me desvendar.
Era vereda, era caverna, era floresta
ou vice-versa.
Perdido, voltava sempre
por onde já provara antes
e, antes, se perdera.
Mudos, o susto e outros rumos
em medo, em mel, tanto desatino!
Todos os caminhos abertos
sem jeito de voltar,
perdido, perdidos, entre
murmúrios nestes mundos.
Seu feitiço, meus ais, a medo, a fogo,
o céu, a sede e o sabor que, estranho à boca
chove-se em seiva...
e se farta
e me sacio
enfim, reencontrado o caminho.
Saramar

Imagem: Nicoletta

SEARA


Este coração que me habita
é feito uma semente
de frágil plantio.
Os ventos o impedem de
profundezas e emerge,
desamparado.
Este coração que me habita
pede um pouco de fé,
lento semear,
mãos de cuidar
profundamente,
escorrer de água
dia e noite, noite e dia.
Meu coração é feito semente,
procura berço quente,
onde frutificar.
Saramar

Imagem: Lowell Georgia

Hoje tem um poemínimo lá no blog do Leo.

BRISA


Se tento versos,
não é para fingir
os amores que invento.
Sem rimas, finjo o verso,
falo do amor
como falo do vento.
Um nada, um oscilar
ao lado, outro tempo.
Saramar

Imagem: Daeni Pino

DEPOIS DA NOITE


Nesta manhã, amor,
deixo-lhe o mapa
do lúdico, dos lábios
e meus pés descalços.
Saio vestida
com seu corpo,
suas asas levo
aqui dentro,
de tanto vôo
que colocou em mim.
Saramar

Imagem: Bouguereau

Hoje tem um poema novo lá no blog do Leo.

ACORDAR


De manhã,
acordo em silêncios,
em penumbras, sonhos lentos.
De manhã em silêncio fico
a ouvir os ecos dos teus gemidos
tremulando em minha boca,
trocando línguas e palavras.
Transe, sustenido,
suspendo o acordar
ergo-me e leve e louca
entrego-te novamente
o seio, o ventre, a boca
ao teu orvalhado desejo,
à tua fome e ao fogo
que reacendes, aos poucos,
com a lava dos teus beijos.
Saramar

Imagem: Cherikov

UM SONHO QUE SONHEI


Era um sopro na boca
era um anjo
a tocar
minha alma torta
era o calor
era um beijo
era o fogo, a flama
era o meu amor
e seu retorno,
seu entornar
era agônica vivificação
era lâmina, era chama
uma teia, uma trama,
tudo a me queimar
recozimento de gente,
era quente
e eu um barro
matéria de moldar,
era o beijo, o sopro
era o início do mundo
e o topo
e eu lá sobre chamas
era o voltar
do meu amor
em mim
a me ressuscitar.
Saramar

O DIA


Transborda o sol pelas manhãs
cavalo alado, azul, amarelo
carregado dos sonhos
dos esconsos sonolentos
e se desata
em tons vários.
Passeia, Pégaso, iluminando letras,
palavras.
Em lenta rota de luz, louva a vida
que carrega em si,
novelos a desenrolar-se,
semente de brotar quentes,
jardins, vidas, vidas.
Descansa o sol pelas tardes
boceja em horizontes longes, longes
um dia distantes da manhã,
sonolento calor, quenturas de colo
de nuvens,
até amanhã.
Saramar

Imagem: Les Lambson

EM VÃO


Eu te dei meu amor,
Dei o corpo e o beijo,
as noites intermináveis,
a saudade.
Dei a receita
e o modo de fazer os dias,
com carinho.
Dei a dica,
eu te queria domador
de solidão.
Eu te queria tanto, amor.
Tudo em vão.

Saramar

Hoje tem um poeminha novo lá no lindíssimo blog do Leo. Quer ler?

MÃE


Mãe não é nada diferente
da outra mulher
ou do homem, sequer.
É só uma mulher que quer
ir à frente da vida
que ela mesma fez ser
para a proteger.
Mãe é um querer,
é um ser que cria utopia
todo dia
para seu filho nela habitar.
Mãe é um amar tão constante
e uma vontade de abraçar
e acalanto
e pranto.
Mãe é um mundo,
um poço sem fundo
de se entregar
a todas as circunstâncias.
Mãe é doer,
Mãe é doar.
Saramar

Imagem: Marta Gottfriend

VINHO


Você é sempre a primeira vez
e o mais íntimo acorde a doer
de um violão esquecido,
em "abismo de rosas".
Você é rastilho de pólvora
aceso no vinho que bebe
em meus seios,
perdido.
Saramar

Imagem: Ismael Nery

INFINITAMENTE


Eu te amo
com a tranquila permanência
do tempo que ainda será
quando tudo mais acabar.
Mesmo quando fores
ficarás em mim
pois que já sou apenas
tu e teu querer
e contigo irei,
rasgo em tua pele,
meu eterno rei.
Saramar

Imagem: Joaquim Moraques

PRISÃO


Sinto o desespero das águas
enclausuradas em nuvens
e a sede que sentem de logo chover.
É uma ilha o que meu espelho reflete
e sua líquida prisão habitada por monstros.
Quem abre minha porta, só enxerga o
aquário meio sujo pelos meus anos
e dentro dele, uma criatura só, salobra
e triste, feita de solidão e assombro.
Saramar

Imagem: Keit Levit

ADÃO E EVA


não, não me mostre o paraíso,
assim tão descuidado,
porque amanhã acordo
e você se foi
acompanhando as estrelas.
Saramar

Imagem: Ilia Lys

AREIAS



Atravesso
o deserto do meu amor morto
porque era tão longe o mar
e tão imenso.
Essas areias e minhas pegadas
são de sal.
Lágrimas e mais nada.

Saramar

Imagem: Kevin Rolly

HOJE TEM UM NOVO POEMA NO http://bloguesuite.blogspot.com/

SONS DA SOLIDÃO


Sob a roupa,
a febre de quem sabe,
da solidão, o curso.
Sob a pele,
a frio de antiga dor
a mudar o ritmo do sangue
como a neve impede
o seguir da seiva.
Sob os olhos,
a sombra da saudade,
cortinas cerradas
de quem do amor,
perdeu o rumo.
Saramar

Imagem: Ana Maria Aguillar

VIAGEM


Minha viagem começa
quando finalmente chego
em seus braços de mar.
O ar me falta, o fôlego
de caminhante cansado
que se apressa
ao perceber tão próximo,
o amado.
O ar se aquece
e é cerco,
é circo
e cerca a me tomar.
Em seus braços me deito.
São leitos, os seus braços
de deleite, de cansaço,
de viagem a começar.
Saramar

Imagem: Marc Chagall

PREVISÕES


Já consultei os oráculos,
os astros, as runas,
já fugi, perdi o rumo
e a esperança de salvação.
Dizem todos os desígnios,
os sentidos tomados
por seu perfume
e as cores misturadas
não sei mais quais são.
Tudo indica, capricórnio, câncer ou aquário
até Vênus, quando acorda ou se vai
que não me salvo mais
desse desatino
desse destino
desse bendito amor
que mesmo ainda não dito,
desata-se como fita de cetim
do Senhor do Bonfim,
amuleto de antiquário
inelutável ânsia de
amar você assim.
Saramar

Imagem: Darksoul

PÁGINA NUA


Sei o que queria dizer
e como falar do latejar da saudade,
torneira pingando noite inteira.
eu sei.
Sei de procurar uma forma, sua face,
as ternuras, os tormentos
e os ais de amor incomodando madrugadas.
Sei da falta, da fome, dos beijos
e de amanhãs que nunca serão hoje.
Hoje, sei que nosso amor
é o que me deixa muda
mesmo sabendo todas as palavras
é o que adormece meus sonhos
em páginas nuas.
Saramar

BLOGS QUE ME FAZEM PENSAR


A amizade é uma arca do tesouro mais precioso do mundo. Dentro dela, sempre encontramos os mais lindos sentimentos, dentre eles, a generosidade.

Uma prova disso, embrulhada em alegria imensa e felicidade, deu-me meu querido amigo Mário Margaride, do blog Canto Poético (até o nome é lindo e cheio de significados, imaginem os poemas!) ao escolher entre centenas, este bloguinho como um daqueles que o fazem pensar. Ora, isso me deixou insuportavelmente vaidosa (brincadeira, claro) e muito honrada.

Obrigada, amigo e lindo Poeta. Nesta semana, em que estou especialmente feliz, você acrescentou quilos de alegria e contentamento ao meu coração.


Escolher apenas 5 entre tantos blogs que adoro, outros mundos de beleza e sabedoria que me fazem pensar.

Um blog que visito todos os dias, onde leio e releio belíssimos textos e poemas, cheios de grandes ensinamentos e ainda as mais lindas músicas é a Casa do Zé Carlos, do meu querido Zé Carlos.


Outro blog lindíssimo, que visito sempre e onde me encanto e onde busco inspiração, um mundo de poemas ora leves, ora doídos, todos perfeitos e originais, é Politicamente Incorreto, do meu amigo Bosco Sobreira.

A beleza de textos poéticos profundamente apaixonados e muito modernos, dele e de seus poetas preferidos, lindos, eu encontro também no Realidade Torta, do Bill. Neste, também busco inspiração e encontro sempre.

Puxando um pouco a sardinha para minha brasa, afinal colaboro por lá, às vezes, mas ressaltando a beleza plástica, as imagens maravilhosas, as músicas cuidadosamente escolhidas e os poemas sempre perfeitos que contém, indico o Suite Blog, do queridíssimo Léo.

E por fim, um blog eclético, inteligente, cheios de poemas, de textos interessantes e, muitas vezes, irônicos ou hilariantes é a
Moita do Moita, blog do meu Mestre (ele bem que tentou me fazer escrever bons poemas), meu inspirador, o querido e divertido Moita.


Ufa! Creio que este foi o post mais difícil que já escrevi porque, na realidade, não é fácil escolher apenas cinco entre as centenas de blogs maravilhosos que visito.

INÉRCIA


O tempo passa,
eu vou ficando
a alimentar quimeras
de tardia infância,
em solidão de brinquedo quebrado.
Eu vou ficando.
Embalada por amores alheios,
distraio os insossos dias
lendo em nuvens,
palavras e promesas
há tempos perdidas.
É o tempo que passa
E vou ficando,
esquecida.
Saramar
Hoje tem um poema sobre a Terra lá no blog do Léo.

DA BELEZA


Se há um tempo para se emocionar com a vida
e com a beleza das gentes se encantar.
Se há uma luz em algum lugar
deste mundo perdido em dor,
está no amor.
Está em você, caçador e guardião
de claridades, da pureza das coisas
e nas cores desses noturnos olhos de amar
com que mira meus anseios e me cega de desejos.
Toda a beleza está nos versos que espalha,
pleno vento de outono e seus versos de enamorar.
Intensamente.
Saramar

Imagem: Amelie Vuillon

SÚBITO


Nem posso dizer que fui feliz
não houve tempo para nada
enleada de suas palavras
envolta em desejos e sonho.
Nosso amor foi revoada
de pássaros em migração
ou miragem desses meus
sentidos cansados de tanta solidão?

Não houve tempo para nada
nem sei que músicas embalam
seu sono sem mim.
Nem sei sonha ou se passa a noite
em claro, como tateio a madrugada
de saudade em saudade.

Inesperado, veio e se foi, súbito.
Pouco conheci de suas mãos
senão o fogo onde ardo, deixado
assim como nada, em meus vãos.
Pouco entendi dos silêncios seus
e, das palavras todas que me disse,
apenas uma ouço agora: Adeus!
Saramar

POETA?


Faceira,
Enfeito-me de máscara,
Alforje frágil de línguas.
Palavras.
Não sou poeta.
Finjo e nem isso sei fazer.
Um rabisco aqui e ali
e minhas faces surgem ou
somem em algum papel.
Faceira ou ferida,
misturo palavras.
Saramar

Imagem: Annika
Hoje há um poema novo lá no blog do Léo

FANTASIA


O meu desejo vem
desse teu desejo, das tuas mãos
das folias no sofá vermelho
e um chorinho tocando
interminavelmente.
Viro poeta, viro música
e provocas meus sons, maestro.
Tu, meu pão de cada dia,
alimentas minhas loucuras
e os sonhos que ainda sonharei.
Tu, meu mar de fantasia,
vadias em meus flancos,
espuma de algodão-doce e mel
a se desfazer em ondas
neste meu corpo seu.
Saramar

Imagem: Amedeo Modigliani

PÁSCOA



Páscoa,
o infindável começo
transformar-se
vida novamente
desensimesmar-se
em místico renascer
ou livre pensar
não importa
vamos ser felizes.
Saramar
Estouparticipando da blogagem coletiva proposta pela Poliane


SOLIDÃO


Quem sabe um carinho,
um copo de vinho
quem sabe um talvez?
e me entregarei, tua
e riscarás minhas costas
com dentes de lobo
e andarás por relvas,
em leito macio de coxas.
Quem sabe, agora,
um copo de vinho,
um último carinho
e levarás contigo,
ao ires embora,
não a solidão,
mas o logro.
Saramar


Imagem: Isabel F