Eu o amo como criança, em deslumbramentos. Sigo seus passos. Borboleta, toco seus dedos como em flores. A força e a beleza o fazem totem. Aos seus pés, vivo em adoração.
Pássaro desarmado, eu o amo cantando em seus dias, arrulho, colorindo de amor suas manhãs.
Eu o amo, primeira namorada, buscando em seus refúgios a doçura dos sonhos e os prantos escondidos e seus fragmentos.
Eu o amo para sempre como amam todos os amantes.
Mãe, eu o amo nas noites colho suas dores, enterro-as em mim para que não mais voltem.
Eu o amo tranquilamente.
Leda, eu o amo em delírios, em transes de amor. E o quero deus e suas asas insensatas em meus seios, a fazer perder minha alma.
Eu o amo com o abandono das mulheres perdidas de amor. Arrasto-o em meus mares escuros e pesados. Inundo seus sentidos. Náufrago em minhas noites, renasce todas as manhãs de tanto amar. Saramar
Vou lhe dar até o dia dos namorados Para descobrir que me ama demasiado E que sou a mais linda rosa que já colheu no jardim da sua vida de eterno apaixonado.
Para que busque em seu coração os mais belos sentimentos de amor e derrame-os sobre mim, qual chuva ou orvalho noturno saturados de cor.
Caso não descubra até lá, morrerei. Meu coração partido por essa paixão Se desmanchará em lamentos e ais Por esse amor não correspondido e vão.
Mas, se descobrir e vier com flores E beijos, bombons e linda melodia Para finalmente declarar que me ama, Juro que não mais lerá este tipo de poesia. Saramar
(*) este poema surgiu de uma brincadeira com um poeta sobre escrever obviedades românticas.
Por onde vou dispersa em meu logro? Não há linha, nem fogo a limitar os rasgos de falsos amores que cultivo ou a solidão a que me entrego, mulher sozinha e sem abrigo. Bebo, bebo nestes cálices inusitados e o sabor da fome em meus lábios, o calor das mãos que me roçam e me desfazem em ventos loucos nada mais são que mentiras quando,
Nesta semana, estou em festa! Um ano, amigos, um ano tentando escrever poemas. Raras vezes consegui, é verdade. Tantas vezes, olhando para essa tela, lendo o que havia escrito, pensei em desistir. Mas, escrever é vício, mesmo para quem é aprendiz e mau aprendiz. Por isso, continuei.
Neste ano inteiro do blog, que começou despretensiosamente, aprendi a não desistir, aprendi a pôr meus sentimentos e sonhos em palavras, pobres palavras, mas verdadeiras e importantes para mim.
Neste ano do blog, o melhor de tudo foram as pessoas maravilhosas que conheci e que se tornaram meus amigos, meus incentivadores (ai, ai), apesar da poesia meio torta e sem ritmo, sem rima, sem musicalidade.
Agradeço a todos que me lêem e mais ainda aos que comentam, encontrando beleza onde há apenas uma canhestra tentativa de escrever. Sem vocês, o bloguinho não estaria fazendo aniversário e eu não estaria com a alma em festa. Beijos e muito obrigada.
É amor? Essa febre, esse fogo, esse gelo nas veias? Garganta fechada de soluços, a alma despida em esperas, e o corpo que por outro anseia? O que tem o amor com esses olhos perdidos, noturnos? E com mesas postas de feras perdidas em mistérios de dentes, de garras, de pétalas em seios? Será amor? Ou o cruel tridente da paixão a abrir em meu mundo fontes de mel em uma única flor? Saramar
Chove e há um ar de dança nas folhas. Passarinhos desenham malabarismos nas poças, nos riachinhos largífluos e em ramos alegres, quase marítimos. Chove, chove longamente e as ruas brilham, líquidas, rios efêmeros. A chuva carrega os passantes e cria ilusões de sombras e luzes e névoas que também dançam em calçadas nuas. Lá fora, a chuva é festa na tarde fria. Aqui dentro, é tempestade de mágoas. Saramar
Perturba meu coração um aroma de flores. Será sonho ou essa saudade a desarrumar meus sentidos para iludir minha solidão?
Será ele que finalmente chega envolto em ternuras?
Será ele, o longínquo amante que, em leito de odalisca indiferente esqueceu-se dos meus braços, antes mornos de paixão, que agora gelam à sua espera, vazios e inúteis? Saramar
Meu amor, Eu te esperei desde a madrugada Não vieste com as estrelas apenas o sol viu minhas lágrimas. Eu te esperei plantei margaridas e sonhos sob as mangueiras e não vieste. despetalei, fiquei nua limpei os vãos, molhei as flores, enfeitei os espelhos com meu vestido amarelo perfumei os seios e não vieste. Agora, neste ermo do mundo inteiro neste quintal entre os pirilipampos em torno de suas luzes Canto a música dos sós em murmúrios. quem sabe ouves e vens? Saramar
À beira do fogão, fogo a me consumir versos talvez caiam nestas chamas e se arranjem em fogo vivo dançando ao se abrir qual ostras e se diluam em delícias de outras bocas. Saramar
Os homens travam suas guerras E arrastam sorrisos congelados Desde o lúgubre tempo da bomba Ou da bala, até o vácuo de terra Que acolhe suas crianças mortas, Último berço, Definitivo colo, de sombra.
Os homens escrevem manuais, E levam suas palavras assassinas A outros homens, sábios sádicos Que ensinam em suas páginas vermelhas, Mil mortes.
Para as dores, nenhum vocábulo, Nem parênteses.
Os homens matam os homens E destroçam as crianças, Abrindo gritos de loucas Em bocas, antes maternas Agora roucas pela poeira Deixada por bombas, balas, Baques emudecedores De qualquer humanidade
Os homens e suas guerras Parem dores em parto De morte e ecos de dor. Parem, parem a guerra. Parem. Paz! Saramar