NATIVIDADE
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Saramar
on sábado, dezembro 24, 2011
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Abrem-se os olhos da abençoada criança
e os braços e as mãos.
Sua alma espalha-se pelo mundo,
árvore de frutos mais perenes
que o tempo dos homens,
que o medo e a dor dos homens.
Mestre da suprema lição,
Jaz sob uma multidão de cegos
e de luzes.
Corpo da esperança,
continua a nascer aqui e ali
nos recantos dos tristes,
nos olhos dos desesperados,
na alma de quem espera.
Menino, Jesus se levanta
E abre os olhos.
Enche-se o mundo
de luz.
Saramar
DE PERDA E DOR
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Saramar
on quarta-feira, junho 29, 2011
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Irremediável clown,
de amor colorido e triste,
doce guerreiro
de palavras e dores,
anjo, anjo de lutas tantas,
a rir de si enquanto ama.
Ah, meu amigo, o que fazer de você,
agora que já não diz nem sente?
O que fazer da gente,
quando nada mais há
senão o espanto
de nos saber sós
e não mais sabê-lo,
senão que anda solto por aí
desnorteando outros mundos
com sua doçura?
Diga-me, amigo, amado,
o tamanho dessa dor
e, com palavras tortas,
por quantas vidas vou chorar.Diga-me, por favor!
Saramar
(Para o meu amado amigo, um poeta que se foi em silêncio).
ÁGUAS
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Saramar
on segunda-feira, janeiro 10, 2011
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Desabam os homens
e caem-lhes, entre as pernas,
no lombo, na cara,
fogões e trapos
e restos de filhos, trôpegos
da morte
que sempre cai bem aos pobres.
Desabam os homens
e rolam por montanhas de indiferença
entre os risos, os fogos,
os tépidos abraços
que cada iniciar impõe.
Na festa travessa do novo ano,
cascateiam pernas e roupas
deságuam os risos
desfazendo em tripas mortas
e coloridas,
a vida.
Deságuam os céus,
desabam os homens
e as mulheres pretas
sob o resto podre dos festeiros insanos,
a cada ano.
Saramar
FELIZ NATAL
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Saramar
on segunda-feira, dezembro 20, 2010
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Feliz natal
aos poetas encolhidos em calçadas da noite
aos meninos que catam a felicidade
nas felizes calçadas verde-vermelhas
aos velhos do tanto frio da solidão
às Clarices, Florbelas e Adelias,
às mulheres vazias de luz,
portadoras de secretas dores
e aos seus homens úteis,
sobre quem nenhuma flor se debruça
a quem perdeu seu amor
e olha triste as mãos alheias, juntas
a quem não sabe como chorar
e lamenta
e se entrega
e morre.
Feliz natal.
PAIXÃO
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Saramar
on quinta-feira, junho 10, 2010
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e os carinhos sussurrados.
Quero as sombras de unhas e dentes
e a fome dos noturnos
desenhando profundamente
laços, lanhuras, beijos em fragor e perdição.
Quero o feroz desfazer-se em gemidos
a fragância da entrega,
os abismos de quem,
perdido em espinhos e sedas,
une pedaços como náufragos
até aportar como os amantes
no leito cansado dos dementes.
Saramar
Imagem: Kevin Rolly
EU, QUE TANTO TE AMEI
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Saramar
on sábado, abril 24, 2010
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Não te amo mais.
Que saibam todos os que acreditaram.
Arei cantos e cantei
Malsinada vida de amar
e amei.
Eu te amei.
Os cantos e as flores
imaginava envolvendo
meu amor,
a cada dia maior
a um novo dia, novo.
Eu te amei.
A um canto, exangue,
mudo
em pranto
morre o amor
eu
que tanto te amei
morro
(por enquanto).
Saramar
Imagem: Yuri Bonder
NOITE
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Saramar
on segunda-feira, janeiro 25, 2010
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VAZIO
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Saramar
on quarta-feira, dezembro 09, 2009
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DE TUDO, O FIM
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Saramar
on quinta-feira, novembro 19, 2009
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TEIMOSA PRIMAVERA
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Saramar
on quarta-feira, setembro 23, 2009
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Importa que nasça a flor
e sobre ela,
outras vidas,
em asas de dança,
encenem a colorida valsa
que, sapiens,
esquecemos de trançar.
Importa que venha a chuva,
e viajem as águas
sobre o rumo que traçam
a cada líquido passo.
Importa ainda o amor
e suas flores, suas águas
seus ridículos e rosas e doces tecidos
que teimam em ser,
queimando o ser
a cada primavera.
Saramar
Imagem: Renoir
e sobre ela,
outras vidas,
em asas de dança,
encenem a colorida valsa
que, sapiens,
esquecemos de trançar.
Importa que venha a chuva,
e viajem as águas
sobre o rumo que traçam
a cada líquido passo.
Importa ainda o amor
e suas flores, suas águas
seus ridículos e rosas e doces tecidos
que teimam em ser,
queimando o ser
a cada primavera.
Saramar
Imagem: Renoir
(A) MAR
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Saramar
on domingo, junho 07, 2009
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O QUE TE LEVOU DE MIM?
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Saramar
on sexta-feira, maio 15, 2009
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CARNAVAL
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Saramar
on quarta-feira, janeiro 28, 2009
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Passeio entre felizes foliões.
A festa despencou pelas ruas, chuva de confetes.
Máscaras não mais se usam,
só a da alegria, em todas as faces, pregada.
Suor colorido de músicas, um choque,
um tremor nessas ruas molhadas.
Beijos escorregam por todos os lados,
lascivos,
de línguas, bocas, pernas.
Procuro rostos, olhos... nada.
É carnaval.
Também fui,
trocando ilusões e lençóis engomados
por tiras coloridas e seu brilho de enganar.
Árvore,
de outra pele me vesti
e a primavera confunde as estações e os sons.
Estou indo esquecer
que a felicidade é um confete no asfalto.
Imagem: Picasso
UM ANO... OUTRO
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Saramar
on segunda-feira, dezembro 29, 2008
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O MENINO
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Saramar
on sábado, dezembro 13, 2008
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Depois,
eram uns meninos no berço
e o grito de suas mães
era um sangue lavando pedras
e um matinho quase seco
que água não corria ali.
De inundação, só lágrimas
de mulheres,
e isso não conta, de tanto se ver.
Mesmo na hora de invadir a luz
com a vida,
com uns olhos cegos de quem pariu,
ouve-se o choro da mulher
e vai abaulando, crescendo em água
nos caminhos onde anda
dos olhos da vida, sal e mágoa
pelos meninos, todos
eram uns meninos no berço
e o grito de suas mães
era um sangue lavando pedras
e um matinho quase seco
que água não corria ali.
De inundação, só lágrimas
de mulheres,
e isso não conta, de tanto se ver.
Mesmo na hora de invadir a luz
com a vida,
com uns olhos cegos de quem pariu,
ouve-se o choro da mulher
e vai abaulando, crescendo em água
nos caminhos onde anda
dos olhos da vida, sal e mágoa
pelos meninos, todos
e os seus.
Eram uns meninos num pedaço seco
da terra
e o choro da mãe.
Não fora a estrela insistente
sobre o berço seco do menino,
não fora o olho de abraçar o mundo,
do menino,
ofuscando a estrela e sua luz,
ninguém diria que, naquela aridez
da alma de todo infeliz,
nascia o Menino Jesus.
Saramar
Eram uns meninos num pedaço seco
da terra
e o choro da mãe.
Não fora a estrela insistente
sobre o berço seco do menino,
não fora o olho de abraçar o mundo,
do menino,
ofuscando a estrela e sua luz,
ninguém diria que, naquela aridez
da alma de todo infeliz,
nascia o Menino Jesus.
Saramar
Imagem: roubei daqui
CORSÁRIO
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Saramar
on terça-feira, dezembro 02, 2008
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Todo amor invade e aflige.
É corsário com mãos de perfume
e cravo crudelíssimo.
Ora flor, ora gemido,
o amor invade os sonhos,
transtorna os dias,
revira a alma,
ri do tempo,
desconhece circunstâncias.
Rei e menino,
o amor brinca na doce aflição
dos sentidos
e marca e fere.
Assim como não se sabe do seu começo,
nunca termina
tatuado a fogo,
para sempre arde e dói
apesar de sua permanência
breve.
Pena de ave sem pouso,
na alma,
para sempre pesa.
Saramar
DOS CAMINHOS DESFEITOS
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Saramar
on terça-feira, novembro 04, 2008
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Volto às ruas da velha cidade.
Entre cafés e tormentos, nada encontro
nem o eco dos sonhos que sonhei contigo.
Cansaram-se as pedras de esperar.
O tempo atravessou as antigas ruas
segurando minha mão, pedaço trêmulo
de uma ave sem asas e sem abrigo.
Eu, que me quisera Lígia,
pisando flores em caminhos de idílio,
nestas velhas ruas, deixei
o rubro traço dos meus pés feridos
e as marcas de sal nos muros
que souberam do nosso amor
para sempre perdido.
Saramar
VIVO PARA LEMBRAR DE TI
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Saramar
on sábado, outubro 25, 2008
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Esquecidas de viver,
as palavras vão morrendo
como uma tarde qualquer
de portas trancadas.
A saudade,
fina dor dos intervalos,
vai ferindo sempre
e ri da morte.
eu também morro
(porque te amo)
e vivo, entretanto,
para lembrar de ti.
Saramar
as palavras vão morrendo
como uma tarde qualquer
de portas trancadas.
A saudade,
fina dor dos intervalos,
vai ferindo sempre
e ri da morte.
eu também morro
(porque te amo)
e vivo, entretanto,
para lembrar de ti.
Saramar
PERTURBAÇÃO
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Saramar
on quarta-feira, outubro 15, 2008
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